quinta-feira, 23 de abril de 2015

No meu corpo, mando EU - o porquê escolhi CESÁREA e não tenho vergonha alguma disso.

Escuto há muito, e calada, pessoas que não sabem conviver em sociedade. Que não entendem toda a questão bíblica do livre arbítrio, ou jurídica, do livre convencimento. E simplesmente não toleram quem pensa diferente. Aliás, está aí a palavra que tornaria sempre tudo mais harmonioso entre os povos: tolerância.

A tolerância leva ao respeito. Entender que para cada um, há um certo pessoal diferente (e que esse pode ser o seu errado, mas que não é você quem está agindo!).

E toda essa balela para dizer que SIM, eu fiz CESÁREA, POR OPÇÃO. Simples assim. E DUAS vezes. EU, na MINHA visão, e para MIM, entendi que era a melhor opção. Não me considero menos mãe por isso: carreguei meus filhos no ventre entre 38 e 40 semanas cada um, privando-me de qualquer coisa que pudesse vir a lhes fazer mal (como álcool ou quaisquer tipos de excessos de gordura ou de ginástica que fosse), amamentei o primeiro 6 meses até o retorno ao trabalho e amamento exclusivamente minha segunda pequerrucha sem complementos... Até quando achar que isso é o melhor para ela e enquanto tiver leite. Deixo de dormir por eles, fico ao pé da cama quando estão doentes, até prendo a respiração para minimizar barulho quando eles dormem... Quando vou morder um pedaço de chocolate e meu filho me surpreende, deixo de comer esse doce para que ele se delicie, mesmo que seja o último e único pedaço (fico mais feliz em vê-lo feliz do que em satisfazer meus desejos pessoais). E faria isso se fosse caso de fome também. Definharia pra que eles tivessem o que comer. Meu coração dói só de pensar que eles podem sentir dor ou frio, fome ou tristeza e que eu não possa ajudá-los e por isso me solidarizo com qualquer caso de sofrimento infantil, seja por doença ou maus tratos, chorando só por assistir uma reportagem e tentando, sempre que me é possível, ajudar. Há uma solidariedade inerente entre mães, só pelo fato de terem vivido a maternidade, e que independe de raça, cor, credo ou orientação sexual.

Entendo todos os pontos de quem opta por um parto normal ou ainda natural. Não, não acho que quem optou por eles seja mais ou melhor que eu. Mas também não acho que seja pior! É que, pra ela (ou você) que me lê, na sua vida, essa foi a opção que lhe pareceu mais acertada. E você acertou por fazer exatamente o que te parecia melhor!

Compreendo que a cesárea não é a forma natural do bicho homem dar a luz. Mas também sei que a intervenção científica é que permite a evolução da saúde, tratando doenças de uma forma não natural. Sem essa evolução, não haveria a contracepção não tabelinha, para escolhermos o melhor momento de termos filhos e quantos queremos ter. Viveríamos até os 30/40 anos, já que com essa idade, seríamos velhos, sem todo o pique de corrida e caça e pararíamos nossa existência em algum episódio de doença... Quem aqui já não tomou antibiótico para ajudar o corpo a combater uma bactéria??? Então isso não é argumento PARA MIM. Mas para outra, pode ser. E eu respeito.

Também sei que a cesárea é uma cirurgia, e que nela estão inclusos todos os riscos de uma operação. Mas também sei que o parto natural também não é imune a riscos e que, quando tudo aperta, também se opta pela cesárea. No parto normal pode ser que o bebê entre em sofrimento fetal, pode ser que só a episiotomia não seja o suficiente para evitar uma dilaceração que pode afetar o sistema urinário e digestivo, em sua fase final... Esse foi o meu pensamento, e que não precisa ser o seu. Eu respeito.

Compreendo os índices de complicações que a OMS mostra, mas também sei que na amostragem e na colheita dos dados, não levam em consideração as cesáreas eletivas apenas, face aos partos normais. Na amostragem da cesárea estão incluídas todas aquelas que foram necessárias após uma tentativa frustrada de parto normal ou indicadas para casos específicos de pressão alta, ruptura de útero ou qualquer outra indicação médica, e que já se espera que traga mais complicações. Queria eu saber os números comparando as cesáreas puramente eletivas aos partos normais. Confesso que não sei, mas que ouvi falar mais de problemas em partos normais, ouvi. Talvez você não. E eu respeito.

Meus médicos nunca me induziram à cesárea. Minha última médica perguntou diversas vezes se eu não queria tentar o normal. E EU não quis. Talvez você queira. E eu respeito.

Acho que a cesárea traz mais riscos, mas às mães. E penso que ela tenha menos risco para o bebê. Eu escolhi ele. Mas você pode achar que tem menos risco no normal para seu bebê e escolher essa outra via. E se você acha isso, do meu ponto de vista, tomou a decisão acertada.

O pós-operatório é geralmente mais difícil na cesárea que nos normais. Sim. É bem incômodo, aliás. Mas também não conheci a dor e dilacerações que tecnicamente poderia sentir se tivesse optado pelo normal e mais ainda pelo natural. Eu balanceei as duas expectativas e escolhi a que ME parecia melhor. Você pode muito bem ter optado pela dor do parto por motivos que só cabem a você. E eu respeito.

Então, se você pensa diferente de mim, tente exercitar a tolerância, porque dela nasce o respeito pelo próximo. Mães, por parto normal ou cesárea, têm nesses atos e como conseqüência comum deles, o bem mais precioso que se possa imaginar. Tornam-se mães, iguais umas às outras. Assim como aquela que assina um documento e adota uma criança. Tanto importa o meio, o que fica como relevante, pra mim, é o resultado. Ser mãe, da maneira como você escolheu, da melhor maneira que você consiga. E ponto.















5 comentários:

  1. Mas nunca que uma mulher que faz cesaria é menos! Acho uma besteira quem tenta ofender uma mulher com esse argumento ridículo... Eu tenho uma cesarea e um parto normal e não sou nem um lixo e nem uma heroína por isso... O que vale é todo nosso cuidado com nossos tesouros. Bjaum!

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  2. APOIADA !!! Acho que o parto normal, assim como tudo no Brasil, virou moda e me irritam as pessoas que acham que apenas a opinião delas é a certa a ser seguida.
    Um brinde a todas as mães que abrem mão de suas vidas e colocam os filhos antes de si mesmas - não que tenha que ser sempre assim (assunto para outro post hihihihi)
    Beijocas
    Li
    http://www.criandofilhospelomundo.com/

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  3. Pra mim a grande questão é o respeito! Respeito pelas decisões da mulher! Eu respeito a decisão de cada uma!
    Parabéns pelo post e pela coragem de expor sua opinião! :)

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  4. Super concordo contigo! Hoje em dia falta respeito, tolerância e empatia! As pessoas precisam respeitar as decisões alheias, mesmo que não concordem! Ótimo post!

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  5. Affff que preguiça do radicalismo viu? Tem gente que acha que o que pensa está tão certo que esquece de ver outras alternativas para o seu pensamento. Querida amiga, siga sempre assim, escolhendo o melhor para você e para sua família. O PH á lindo e muito querido!!!

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