sexta-feira, 12 de abril de 2013

Nascimento de uma mãe... Full-time. E que mal há nisso?

Confesso que jamais me imaginei assim. Sempre prezei pela minha formação acadêmica e crescimento profissional. Workaholic mesmo. Formada pela USP em Direito, enfrentava a longa jornada diária de escritório de advocacia empresarial com um sorriso no rosto. Alegre e saltitante, sempre buscando aprender mais e crescer no plano de carreira. Quando se faz exatamente o que se gosta e necessariamente com pessoas que se A-DO-RA, os momentos ruins de pressão são reduzidos a meros percalços, que fazem parte de qualquer cotidiano. Ainda estava no meio do mestrado, na USP também.

E veio uma notícia inesperada: gravidez. Não estava nem um pouco preparada, a pílula falhou. Como diz minha mãe com sua sabedoria inigualável: "Filha, 1% de chance de erro, quando acontece com você, é 100%". Rir pra não chorar, mas é verdade.

Eu e meu marido (então namorado), resolvemos assumir tudo - explicar pras famílias, casar, contar no escritório... E meu chefe, uma das melhores pessoas que conheço nesse mundo, para meu espanto, quase que ficou mais feliz que eu! Acabou por me acalmar e confortar, explicando que teria paciência comigo, pois iria ingressar em uma nova fase. Trabalhei até a última semana antes do parto e só parei quando caí na Avenida Paulista de salto alto, indo encontrar uma amiga para o almoço. Literalmente minhas pernas já não aguentavam mais meu corpo.

Meu bebê nasceu (e com ele surgiu uma super mãe coruja que nunca pensei que pudesse existir em grau tão agudo) e se passaram 4 meses. Voltei à ativa em home office. Estava amando aquilo. Eis que chega um ultimato: voltar fisicamente ao trabalho pois não havia essa previsão de trabalhar de casa na política do escritório. Parei de amamentar e voltei. Mas não pude suportar. Saía de casa e ele mal havia acordado. Voltava e ele já estava a dormir. Para agravar, deveria apresentar a dissertação do mestrado em poucos meses e ainda tinha pouquíssimas letras escritas.

Com dor no coração, pedi licença, não remunerada. O fato de poder contar com meu marido nesse momento foi decisivo - ele tinha condições de arcar com todos os custos e sempre me deixou a vontade com qualquer das escolhas que pudesse tomar. E eu optei por ser mãe full-time.

Muitos me apoiavam, principalmente as mulheres. Poucos não, dentre eles meu pai, alegando que havia batalhado muito para alcançar minha formação e carreira.

Fato é que atualmente sou mãe. E não trabalho (obviamente que na acepção jurídica, pois descobri que cuidar da casa e da família á sim uma senhora de uma labuta). Portanto, sou mãe e dondoca...(risos)

Usarei este espaço mais como um diário pessoal, contando as aventuras desse dia-a-dia (eu sei que pelas novas regras essa expressão perdeu o hífen, mas para mim ainda fica estranho demais tirar, então, perdão aos gramáticos). Se alguém quiser ler - há sempre loucos para tudo -, que alegria compartilhar as dúvidas e descobertas, angústias e encantamentos dessa fase. E o conteúdo poderá ser instrutivo ou fútil, útil ou inútil. Só vou escrever o que tiver vontade, entre um desabafo e pedido de conselho, às vezes me intrometendo a dar dicas. Desde  assuntos como educação de filhos, desenvolvimento, a possibilidade de ajuda de babás e domésticas, passando por passeios e shopping, até a adaptação a esse novo esquema, contando das amizades que fiz, como aprendi a ter um tempo para mim e não viver em casa de pijamas.

12 comentários:

  1. Parabéns pela sua escolha! Com certeza, caso queira, mais a frente você poderá recuperar sua carreira e profissão. Mas jamais poderá recuperar esta fase do desenvolvimento tão importante da vida de seu filho. E se ainda por cima pode ser uma Mãe Full Time Dondoca, que ótimo!!! (rs) Aproveite este momento tão precioso (e sem culpa!) Eu como mulher, me sinto realizada com a sua experiência! A vida é sua e as escolhas são suas. Mais uma vez Parabéns! Um grande abraço para você, seu marido e filhinho.

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    1. Rosa, um grande abraço para você e família também! Foi uma escolha difícil, mas a opção pelo filho, na minha concepção, nunca pode gerar arrependimento. Nada na vida vale mais do que ficar perto deles.

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  2. Que linda hist'ria. Sempre penso que: um segundo muda tudo, a vida é um sopro mesmo...

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    1. Obrigada, Poliana. Por aqui foi um soprão!rsrsrs

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  3. Ana,
    Mãe full-time não tem nada de dondoca!rs Eu me identifiquei bastante com sua história! Sempre tive planos profissionais e acadêmicos e antes de ser mãe eram a minha prioridade! Minha ficha ainda demorou um pouco mais para cair e escolher ficar mais tempo com minhas filhas: não posso sair do meu emprego atual, mas atualmente só trabalho em plantões noturnos e aos fins de semana. Não quero mais terceirizar a criação das meninas. Quero ser participATIVA! Porém, confesso que muitas vezes me sinto mais cansada do que trabalhar tooodos os dias!rs Beijos!

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    1. Aline, mas sabia que a maioria das pessoas acha que "só" ser mãe não cansa? Que estamos de férias contínuas?rs Eu, COM CERTEZA, fico mais cansado que em 14hrs de escritório... É diferente, mas cansa mais. É muita rotina: fralda, frutinha, água, leite, fralda, almoço, água, leite, frutinha, banho, água, fralda dormir... E vc ainda faz tudo isso e trabalha à noite e aos finais de semana. Isso sim é guerreira!

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  4. Menina, te entendo perfeitamente! Estamos juntas nessa decisão! Trabalho desde a adolescência, fiz faculdade, MBA, estou com outra graduação quase terminada, mas depois da segunda filha decidi parar. Não nego que às vezes acordo e penso, será que escolhi certo? Mas em minutos essa dúvida passa, pois estar com meus filhos é compensador! No primeiro filho, voltei a trabalhar quando ele tinha seis meses de idade e foi sofrido, pois ele adoecia muito! Combinei com meu marido que quando viesse o segundo bebê, eu tiraria a licença sem vencimentos. Estou há dois meses de licença, estranhando um pouco a vida de dona de casa, mas feliz por não deixar mais meu mais velho das 9 às 19 na escolinha, em não ter que por minha bebê que ainda mama na escolinha... tirei por um ano, vamos ver no que dá! Bjs e boa sorte para vc =)

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    1. Dá um pouco de dó de engavetar os diplomas, né? Terminei o mestrado e agora vou ensaiar uma prova de doutorado pro ano que vem. Assim que a menor entrar pra escola também, vou buscar um reenquadramento. Não dá pra ser nos moldes antigos de vida louca: casa-escritório-chorar por 15 dias de férias por ano, mas tenho muita saudade de advogar! Boa sorte pra vc tb!!! Aqui são 3 anos de licença já.

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  5. Ana querida, me vi nessa situação pq nos mudamos para Londres. Mas antes da mudança quando resolvi engravidar saí do mercado publicitário, que em São Paulo significa trabalhar 14 horas por dia, abri meu negócio em casa ( ATerra do Nunca, para brincar e dormir) e adorava cada segundo ao lado do meu Chicletinho.
    Acho que o fato de conseguir trabalhar e ainda ficar integralmente com o pequeno me deixava muito feliz. Agora em Londres nossa Estrelinha com 6 meses exige tanto que as vezes sinto saudades da interminável jornada de trabalho na publicidade, mas nem por um momento eu penso em deixá-la em casa e não vê-la crescer, aprender, desenvolver. Acho que por isso comecei a me dedicar ao blog, fazer mestrado, treinamento montessoriano, para me sentir uma pessoa não só mãe, mulher, dona de casa, motorista .... nossa e ainda temos tempo para escrever coisas bonitas como o seu relato acima.
    Ser mãe full time significa trabalhar 10x mais do que no mercado de trabalho, significa doar-se de corpo e alma e nem temos tempo para o glamour !!!
    Te admiro por agarrar com tanto amor esta tarefa.
    Beijocas
    Li
    http://www.criandofilhospelomundo.com/

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    1. Trabalhar em casa deve ser muito bom! Eu fiquei em home office por um tempo, mas não existia essa categoria no escritório. Depois me ofereceram meio período, mas por 1/4 da remuneração e sem bônus... Trabalhar de graça também não dá, né? Os dois ainda me ocupam demais, mas como disse no outro comentário, quando a AL for pra escola também, preciso me recolocar. Sinto falta da função laborativa. Bjokas, Li!

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  6. Amiga, que legal saber como o seu blog começou. Agora, que você é uma excelente mãe isso eu nem preciso ler para adivinhar. Você faz um ótimo trabalho como mãe e os frutos são e serão colhidos. Te admiro. Beijos grandes. Amei ler este post. Beijo, Tati

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    1. Obrigada, Tati! Pelo menos estou tentando cria-los bem. Vc que é uma excelente mãe!!! Beijos!

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